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Bitcoin perde para o ouro em 2026, mesmo com ETFs fortes

O debate entre Bitcoin e ouro tem esquentado cada vez mais em 2026. Recentemente, o valor do ouro subiu para US$5.110 por onça, enquanto o Bitcoin enfrenta dificuldades para se manter acima de US$95.000. Em janeiro, o ouro acumulou uma impressionante alta de 18%, seu melhor desempenho em quatro décadas. Por outro lado, o Bitcoin tem se mostrado relativamente estável no ano, mesmo com a entrada de grandes investidores. Esse movimento acontece em um cenário global de aversão ao risco, altos déficits fiscais e políticas monetárias mais flexíveis nos Estados Unidos.

O Bitcoin chegou a atingir a marca de US$97.000, impulsionado por ganhos de mais de US$1,7 bilhão em ETFs nos primeiros dias do mês. No entanto, sua performance ainda deixa dúvidas sobre sua eficácia como “ouro digital”, especialmente em tempos difíceis da economia.

Para os investidores brasileiros, essa comparação é bastante relevante, já que tanto o Bitcoin quanto o ouro são vistos como opções de proteção contra a inflação e a desvalorização da moeda, mas eles têm perfis de risco bem distintos.

O que explica a divergência entre Bitcoin e ouro?

O ouro tende a brilhar em tempos de incerteza econômica. E 2026 começou sob um ímpeto favorável: o déficit fiscal dos EUA alcançou US$1,8 trilhão em 2025, fazendo a dívida nacional chegar a US$38,5 trilhões. Esse panorama impulsionou os ETFs de ouro, que receberam cerca de US$89 bilhões em novos investimentos ao longo de 2025, demonstrando uma forte demanda de investidores.

Em contrapartida, o Bitcoin, mesmo com sua oferta limitada a 21 milhões de unidades, apresentou comportamento mais alinhado a ativos de risco. Desde 2020, a correlação média do BTC com o S&P 500 gira em torno de 0,5, indicando que seu preço ainda é influenciado por ciclos de liquidez e apetite por risco, diferentemente do ouro.

Essa dinâmica não é nova. Estudos anteriores já apontaram que o ouro se destaca em momentos de busca por segurança.

Fluxos institucionais sustentam o Bitcoin?

Apesar das críticas, os dados mostram que o interesse institucional pelo Bitcoin continua forte. Entre os dias 12 e 16 de janeiro, os ETFs de BTC receberam um montante significativo de US$1,42 bilhão, com destaque para o IBIT, da BlackRock, que atraiu US$1,035 bilhão. Esse cenário ajudou o Bitcoin a manter um suporte técnico em US$92.000, onde a média móvel de 50 dias se posiciona.

No gráfico diário, o RSI do Bitcoin se mantém em torno de 54, indicando um momento neutro, enquanto o MACD está levemente positivo, mas sem muita força. A resistência mais próxima é de US$97.500, e um aumento de volume acima da média diária de US$35 bilhões será necessário para que o ativo recupere a tendência de alta.

Vale destacar que algumas instituições financeiras, como a Jefferies, demonstraram preferência pelo ouro em vez do Bitcoin como forma de proteção a curto prazo.

Quais riscos o investidor precisa considerar?

Um dos principais riscos para o Bitcoin é a sua crescente dependência dos fluxos institucionais. Se as entradas nos ETFs diminuírem, o Bitcoin pode enfrentar suportes mais baixos em US$88.000 e US$82.500, especialmente se o dólar se fortalecer no cenário global.

No entanto, o ouro também pode sofrer correções, principalmente após uma alta tão expressiva. Uma recuperação do risco global ou uma postura mais rígida do Federal Reserve podem limitar os ganhos em um futuro próximo.

Para o investidor brasileiro, a mensagem é clara: enquanto o ouro oferece uma proteção mais estável em tempos difíceis, o Bitcoin tem um potencial de crescimento no longo prazo, mas carrega uma alta volatilidade. Compreender essa diferença é fundamental para equilibrar seu portfólio em 2026.

O mercado permanece atento aos próximos dados sobre inflação e política monetária. Enquanto isso, a divergência entre Bitcoin e ouro deixa evidente que, apesar de algumas semelhanças, esses dois ativos respondem de maneiras bastante distintas às forças do mercado.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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